O que aconteceu
Uma reportagem do Mobile Time publicada em 16 de outubro apresenta números fornecidos pela Omnichat, empresa que atende a Ri Happy com um agente de inteligência artificial para vendas pelo WhatsApp. Segundo o fornecedor, a taxa de conversão no canal passou de 4% para 70% depois da adoção da ferramenta. A rede já usa a solução desde o quarto trimestre de 2025. O texto não informa o período usado para comparar as taxas, o número de contatos em cada fase nem qual ação foi contada como conversão.
O CEO da Omnichat, Mauricio Trezub, descreve o atendimento antigo: um celular ficava no balcão da loja e dependia de um vendedor disponível durante o expediente. Em alguns casos, a resposta levava horas. Agora, segundo ele, ocorre em segundos. O sistema responde dúvidas, recomenda brinquedos conforme a idade da criança, acompanha pagamento e atende questões de pedido, troca e devolução. A preparação levou três meses para organizar informações sobre aproximadamente 10 mil produtos, ainda de acordo com o fornecedor.
Por que importa
A diferença informada nas taxas chama atenção de qualquer varejista que usa o WhatsApp para vender. Mas o número sozinho não mostra o que foi medido. Uma venda iniciada e concluída dentro da conversa tem significado diferente de um clique no link de pagamento ou de uma indicação de produto. O Mobile Time não apresenta a definição aplicada nesse caso. Também faltam os volumes de conversas antes e depois. Uma taxa alta numa base menor pode representar menos pedidos que uma taxa menor numa base muito maior.
O valor do relato para um gestor está no desenho da operação. Havia uma fila associada ao horário da loja e à disponibilidade do vendedor. A automação assumiu dúvidas repetidas e ampliou a capacidade de resposta, segundo a Omnichat. Antes de copiar o projeto, uma empresa pode levantar quantos contatos chegam fora do expediente, quanto tempo levam para receber resposta e quantos avançam a pagamento. Com isso, terá uma referência própria para avaliar se reduzir espera gera compras adicionais.
O catálogo exigiu trabalho. A descrição do fornecedor diz que havia produtos mal cadastrados e que a equipe buscou detalhes com fornecedores para melhorar as recomendações. Quem pretende automatizar o atendimento precisa conferir nome, disponibilidade, idade recomendada e política de troca no cadastro, além de definir como corrigir respostas erradas. Um agente alimentado por informação incompleta transfere o erro do sistema para o cliente. O novo SAC, que limita o uso de IA e exige atendimento humano reforça a importância de testar a passagem para uma pessoa quando a primeira resposta automatizada não resolve o problema.
O resultado de 70% é uma declaração do fornecedor sobre um cliente específico. O próprio executivo disse ao Mobile Time que os melhores outros clientes da plataforma ficam na faixa de 25%. A reportagem atribui a diferença ao contexto de compras de brinquedos para presentes, segundo a interpretação apresentada por ele. Cada marca terá catálogo, prazo e intenção de compra diferentes. Projetar a taxa da Ri Happy em orçamento de outro varejista sem conferir essas condições seria uma extrapolação.
O que observar
A pergunta imediata para Ri Happy e Omnichat é qual foi o denominador usado: conversas recebidas, pessoas únicas ou atendimentos qualificados, em quais meses e com quantos pedidos concluídos. Para outros varejistas, o próximo passo é medir seu ponto de partida antes de contratar uma ferramenta e revisar o cadastro de produtos. Tempo de resposta, conclusão de compra, devoluções e necessidade de atendimento humano formam uma leitura mais útil que uma porcentagem isolada. O relato descreve um caso real de implantação, mas faltam dados para atribuir a variação integralmente à automação.
Fontes
- Mobile Time: entrevista com o CEO da Omnichat sobre a operação da Ri Happy





[…] leitura complementa o caso da Ri Happy, que relatou aumento de conversão no WhatsApp com IA. Conversão no atendimento e custo de entregar uma mensagem de marketing são etapas diferentes da […]