O que aconteceu
A Monks, agência digital da S4 Capital, disse ao Digiday que já permite a agentes de inteligência artificial trabalhar por 36 a 48 horas seguidas, e por mais tempo em projetos grandes. O uso descrito hoje concentra-se em programação de sistemas internos. Funcionários definem requisitos; agentes dividem o trabalho, testam código e revisam resultados uns dos outros. A duração e a ausência de erros em alguns casos são afirmações do executivo Wesley ter Haar, responsável por IA e receita na empresa, sem auditoria independente publicada na reportagem.
A agência está adaptando esse fluxo para social e marketing de performance. Nesses casos, um sinal, como uma publicação que perdeu desempenho ou uma sequência de comentários, pode iniciar uma tarefa. Um cliente não identificado deve testar um processo mais amplo no início de 2027, de informações iniciais até gestão de comunidade. Essa operação comercial ainda não equivale ao uso prolongado já relatado em software interno.
Ter Haar também disse que passou a pensar o custo de tokens, unidades de processamento cobradas pelos modelos, dentro do orçamento de trabalho da agência. Entenda como tokens entram no custo da IA. Clientes pedem registro dos agentes usados, origem dos modelos, gasto e possibilidade de desligá-los. A empresa mantém especialistas humanos para selecionar o que funciona, especialmente em tarefas criativas.
Por que importa
Para o gestor de agência no Brasil, a história oferece uma diferença operacional importante. Uma tarefa de programação com requisitos claros pode ser testada e inspecionada antes de entrar em produção. Responder a consumidores ou alterar campanha de um cliente envolve reputação, orçamento e prazos contratuais. A mesma autonomia não pode ser copiada sem definir limites.
Uma primeira experiência pode acontecer em ambiente interno, com escopo delimitado: montar relatórios, organizar criativos para revisão ou produzir código de apoio. Registre quem aprovou o objetivo, quais dados o agente pode acessar, qual é o limite de gasto e qual resultado será avaliado por uma pessoa. Se a ação puder mudar uma campanha ou conversar com o público, estabeleça um ponto de aprovação antes de executar. A promessa de operar sem alguém assistindo por dois dias não afasta a responsabilidade de quem assinou a entrega.
A discussão sobre orçamento também interessa a quem negocia contratos de agência. Horas humanas e custo do modelo entram na produção, mas o cliente deve saber o que está comprando. Se parte da equipe passa a supervisionar agentes, os indicadores podem incluir retrabalho, tempo de revisão e resultado entregue. Reduzir horas faturadas sem mostrar custo computacional e qualidade pode distorcer a comparação.
O caso envolve o relato de uma empresa, com processos específicos e uma parte ainda planejada. Ele não demonstra que qualquer agência poderá trocar equipes por agentes ou repetir esse prazo de trabalho com segurança. A Monks relata dificuldade de escolher boas ideias entre muitas propostas geradas rapidamente e ainda depende de profissionais para decidir o caminho criativo.
O que observar
O primeiro teste com cliente previsto para o início de 2027 mostrará quanto da operação social poderá ser delegada e quais aprovações serão exigidas. Enquanto isso, agências podem exigir de qualquer fornecedor de agentes um registro de tarefas, custos, permissões e decisões humanas. Um piloto interno com critérios objetivos permite avaliar ganho real antes de colocar dados de cliente, orçamento de mídia ou atendimento público no fluxo.
Fontes
- Digiday: entrevista com a Monks sobre tempo de execução, usos atuais, planos e supervisão.





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