O que aconteceu
A Warc Media prevê que o investimento global em publicidade crescerá 11,9% em 2026, para US$ 1,34 trilhão. A atualização do Global Ad Spend Forecast foi divulgada nesta quinta-feira (8) e foi detalhada pelo propmark e pelo Advanced Television. Trata-se de uma projeção mundial, sujeita a revisão. A Warc atribui parte do impulso a investimentos corporativos em inteligência artificial e a eventos como a Copa do Mundo.
As redes sociais têm a maior taxa de crescimento prevista entre os grandes canais: 21,3%, para US$ 394,6 bilhões. Busca, redes sociais e mídia de varejo, somadas, representariam 66,4% de todo o investimento mundial neste ano. A projeção coloca Alphabet, Amazon e Meta com 59,7% do gasto publicitário fora da China. O recorte importa: esse percentual não descreve o mercado brasileiro isoladamente.
A Warc também estima US$ 110 por habitante em publicidade no Brasil em 2026, ante US$ 1.395 nos Estados Unidos. O indicador por pessoa permite comparação entre mercados, mas não equivale ao valor gasto por consumidor nem mede a rentabilidade da publicidade.
Por que importa
Uma agência que prepara o plano de mídia de 2027 deve separar o crescimento do mercado global da decisão de compra do seu cliente brasileiro. A previsão de alta nas redes sociais ajuda a explicar por que tantos fornecedores disputam essa verba, mas não mostra qual formato entrega mais vendas para uma empresa específica. O trabalho continua sendo comparar custo, alcance útil e resultado de cada campanha nas praças em que a marca vende.
A concentração projetada em três grupos torna concreta outra conversa de planejamento: quanto do orçamento depende da mesma infraestrutura de distribuição e mensuração. Para um anunciante com verba fixa, uma mudança de preço, regra ou inventário numa dessas plataformas pode mexer em grande parte do plano. Testes com canais alternativos precisam ter objetivo e métrica definidos, em vez de entrar só para preencher uma fatia do orçamento.
O avanço estimado para mídia de varejo também merece uma comparação com o caso brasileiro. Ontem, o lançamento da Serasa Ads com segmentação baseada em dados financeiros mostrou outro tipo de ambiente que busca capturar verba publicitária. A previsão da Warc reúne categorias globais e não informa o retorno de cada uma dessas ofertas para campanhas no Brasil.
Há uma ressalva útil para a reunião de orçamento: a estimativa de 11,9% envolve moedas, países e segmentos muito distintos. Ela não autoriza aplicar o mesmo percentual como reajuste automático à verba de uma marca brasileira. A pergunta prática é onde a demanda do próprio cliente cresceu e onde o custo por resultado mudou ao longo de 2026.
O que observar
A Warc prevê crescimento global de 8,4% em 2027, abaixo do ritmo estimado para este ano. O fechamento de 2026 permitirá verificar quanto da alta projetada se confirmou e quais canais sustentaram o resultado. Para o Brasil, levantamentos locais de investimento e os dados de campanha dos anunciantes serão necessários antes de converter essa tendência mundial em decisão de compra.
O próximo orçamento deve registrar também qual parcela depende de cada plataforma. Essa medida ajuda o time a avaliar risco de concentração e a definir testes com prazo e critério de resultado, sem presumir que a expansão mundial terá o mesmo desenho no mercado brasileiro.
Fontes
- propmark: Warc projeta investimento publicitário global de US$ 1,34 tri em 2026
- Advanced Television: Forecast: Global ad spend surges 11.9% to $1.3tn in 2026




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