Pesquisa aponta rejeição a imagens de IA em anúncios

Análise de 68 mil posts mostra críticas a imagens sintéticas de produtos; marcas precisam testar confiança e vendas antes de ampliar seu uso.

O que aconteceu

Uma pesquisa da Buzzmonitor divulgada pelo Meio & Mensagem em 16 de outubro encontrou críticas ao uso de imagens geradas por inteligência artificial em publicidade de produtos. A empresa analisou 68 mil publicações que mencionavam IA, assistentes e termos ligados a compras entre os dias 1º e 7 de outubro. Segundo a reportagem, 87% das conversas no recorte sobre anúncios e imagens de produtos criticavam esse uso. Moda e alimentos aparecem entre os exemplos citados pelos usuários.

O contraste entre usos também chamou atenção. No recorte sobre pesquisa, comparação e apoio à decisão de compra com modelos de linguagem, 15% das publicações eram críticas. Em atendimento, 38% dos posts citados descreviam a IA de forma positiva quando ela facilitava a jornada; 19% criticavam a falta de acesso a uma pessoa quando o sistema não resolvia o problema. São porcentagens de recortes diferentes do levantamento. A reportagem não informa o tamanho individual de cada grupo, a seleção das plataformas nem os critérios de classificação das falas.

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Por que importa

Para uma equipe que anuncia roupas, refeições ou produtos de varejo, a imagem da peça publicitária cria uma expectativa concreta sobre o que será entregue. Uma representação sintética pode ser útil para testar composições visuais, mas precisa corresponder ao produto real. Segundo o levantamento, parte dos usuários identifica imagens artificializadas como enganosas e relata desistência da compra. O risco merece atenção justamente em campanhas de conversão, nas quais uma foto pode levar o público diretamente ao carrinho.

A aplicação prática começa antes de subir dezenas de variações de criativo. Separe amostras das imagens geradas e compare cor, textura, tamanho e apresentação do produto com fotografias reais. Identifique quais elementos foram inventados pela ferramenta e peça revisão a quem conhece o item vendido. Em seguida, teste as versões aprovadas em grupos comparáveis e acompanhe compras, devoluções e reclamações sobre divergência visual. Esse é um procedimento sugerido pela redação para avaliar confiança na própria operação; a pesquisa da Buzzmonitor não mediu o resultado de um experimento desse tipo.

O levantamento tampouco permite dizer que 87% dos consumidores brasileiros rejeitam anúncios feitos com IA. Sua base reúne publicações que mencionaram IA e temas de compra, e o percentual informado se refere ao recorte das conversas sobre imagens e anúncios. Quem decidiu comentar espontaneamente pode ter motivação diferente de quem simplesmente viu uma peça e seguiu comprando. Para uma marca, tratar o número como termômetro de risco faz mais sentido do que convertê-lo em previsão de vendas.

O lado positivo relatado pelos usuários também ajuda a definir prioridade. Ferramentas que comparam produtos ou ajudam a escolher podem resolver uma dúvida concreta. Mas, quando a conversa de atendimento trava, parte do público pede passagem para um humano. Esse ponto se relaciona ao novo SAC, que limita a IA e exige atendimento humano. A decisão da empresa sobre automação deve considerar a experiência inteira, da informação exibida no anúncio até a resolução de um problema depois da compra.

O que observar

A Buzzmonitor ainda pode detalhar o tamanho de cada recorte e como classificou críticas e elogios nas 68 mil publicações. Enquanto isso, gestores podem fazer duas conferências: se as imagens em circulação correspondem aos produtos vendidos e se as reclamações relacionadas a peças sintéticas estão sendo registradas pelo atendimento. Um teste controlado com criativos reais e sintéticos, com a mesma oferta e métricas de compra e queixa, produziria evidência mais próxima da realidade de cada marca. O estudo de conversas oferece um alerta, com limites claros sobre a população representada.

Fontes