Meta processa Ofcom e Austrália pressiona big techs

Duas frentes regulatórias no mesmo fim de semana miram o acesso de menores às redes, e o alcance desse público é o que está em jogo.

O que aconteceu

A Meta entrou com uma nova ação judicial contra a Ofcom, o órgão regulador de mídia do Reino Unido, questionando a aplicação da Lei de Segurança Online. A informação é da Folha, que classifica o movimento como o episódio mais recente de uma série de embates entre empresas de tecnologia dos Estados Unidos e o regulador britânico. Autoridades e políticos do Reino Unido temem que a ofensiva judicial atrase a implementação da legislação, que é ampla e inclui regras de proteção de menores contra conteúdo nocivo.

No mesmo fim de semana, do outro lado do mundo, o discurso foi outro. O primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, disse no domingo (20) que busca o apoio das grandes empresas de tecnologia para as leis australianas de proteção de crianças na internet e também para a regulamentação de inteligência artificial, segundo a Folha.

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Dois países, duas abordagens. Em Londres, tribunal. Em Camberra, convite à mesa de negociação. O ponto de partida é o mesmo: quem responde pelo que um adolescente vê numa rede social.

Por que importa

Para quem planeja mídia no Brasil, o efeito prático dessas disputas não é jurídico, é de inventário. Toda regra que restringe conta de menor, exige verificação de idade ou limita recomendação de conteúdo para essa faixa etária reduz o volume de impressões disponíveis e a granularidade da segmentação. Reino Unido e Austrália funcionam como laboratório: o que as plataformas constroem lá tende a virar configuração global, porque é mais barato rodar um só sistema do que vários.

A resistência da Meta na Justiça britânica também diz algo sobre custo. Se contestar um regulador sai mais em conta do que se adequar a ele, a régua de compliance demora a subir e as equipes de marketing ganham fôlego. Se a Ofcom sustentar a lei, o caminho contrário se abre.

Aqui, o debate sobre idade mínima e responsabilidade de plataformas já está em curso, e o repertório dos legisladores brasileiros costuma vir emprestado desses casos. Vale acompanhar por antecipação, não por curiosidade.

O que observar

Alguns pontos em aberto:

  • O prazo e o escopo da ação da Meta contra a Ofcom, e se outras empresas americanas seguem o mesmo caminho.
  • Se o atraso temido por autoridades britânicas na implementação da Lei de Segurança Online se confirma.
  • Que tipo de apoio Albanese consegue das big techs, e se a conversa australiana sobre IA avança junto com a de menores.
  • Como as plataformas ajustam controles de idade e segmentação por faixa etária nas ferramentas de anúncio, incluindo no Brasil.

Fontes

  • Folha: Meta entra com processo contra agência que regula lei que protege menores de conteúdo nocivo no Reino Unido
  • Folha: Austrália diz que big techs precisam ajudar em restrições para menores nas redes sociais