Rede Ronaldo lança portal e disputa verba de esporte

A marca pessoal do ex-jogador vira veículo de jornalismo esportivo e passa a concorrer com sites tradicionais pelo dinheiro dos anunciantes.

O que aconteceu

A Rede Ronaldo colocou no ar o Portal Rede Ronaldo, sua operação dedicada a jornalismo esportivo. Segundo o Meio & Mensagem, o site vai publicar notícias, reportagens, entrevistas e vídeos sobre diferentes modalidades e competições, nacionais e internacionais.

O lançamento está associado aos 50 anos de Ronaldo Nazário. O conteúdo produzido pelo portal também será distribuído nos outros canais digitais do grupo, o que amplia o alcance de cada material além do site próprio.

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Erica Matos assume a direção de jornalismo. Cabe a ela montar a equipe e estruturar as rotinas de apuração do novo veículo, ainda de acordo com o Meio & Mensagem.

Por que importa

Esporte é uma das poucas categorias em que anunciante brasileiro paga prêmio por contexto. Quem vende inventário esportivo disputa verba de casa de apostas, bebida, banco, telecom e varejo, e a briga por essa audiência já era apertada entre portais tradicionais, veículos nativos digitais e canais de criadores.

A entrada de uma marca pessoal com redação própria mexe com a lógica dessa negociação. Um portal editorial dá ao grupo algo que só canal de creator não dá: volume de publicação diário, páginas indexáveis, inventário display e vídeo, contexto de notícia para patrocínio de seção. Ao mesmo tempo, o grupo mantém o que veículo tradicional custa a ter, que é um nome com afinidade natural na categoria e distribuição própria em redes.

Para quem planeja mídia, isso muda a mesa. Em vez de comprar post patrocinado por entrega, a conversa passa a incluir pacote de marca, patrocínio de conteúdo e presença em canais sociais do grupo, tudo numa negociação só. É o modelo que veículos digitais brasileiros vêm empurrando há anos, agora com um ativo de audiência que já vem pronto.

Opinião: o ponto fraco desse arranjo costuma ser o mesmo. Marca pessoal forte facilita a venda e complica a cobertura. Quanto mais o portal quiser ser reconhecido como jornalismo, mais vai precisar mostrar onde termina o veículo e onde começa o negócio de quem dá nome a ele.

O que observar

O tamanho e o perfil da equipe que Erica Matos vai montar dizem muito sobre a ambição do projeto. Redação enxuta focada em conteúdo de marca é uma coisa. Cobertura de apuração própria é outra, bem mais cara.

Vale acompanhar também como o inventário será comercializado: venda direta por equipe própria, representação por terceiros ou programática. E se o portal vai buscar credenciamento e cobertura de campo nas competições que promete cobrir, ou se ficará na camada de opinião e repercussão.

Fica de pé a pergunta sobre política editorial. Ainda não foi divulgado como o veículo trata pautas que cruzam com os interesses empresariais associados ao nome que ele carrega.

Fontes