O que aconteceu
A Paramount Skydance fechou acordo com a Califórnia e outros 11 estados americanos que tinham ido à Justiça para bloquear a compra da Warner Bros. Discovery, negócio de US$ 110 bilhões. A proposta foi apresentada ao tribunal na segunda-feira (21) e ainda passa pela revisão de um juiz. A coalizão, liderada pelo procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, processou as empresas em julho, mesmo com o aval do Departamento de Justiça. Um juiz federal suspendeu o negócio, e o julgamento estava marcado para 2 de março de 2027.
O acordo troca o processo por compromissos de conduta. A Paramount terá de lançar 30 filmes por ano nos cinemas nos dois primeiros anos e 32 nos seguintes. Pelo menos quatro devem ser independentes. Se não cumprir a meta, terá de vender a Miramax e pagar US$ 30 milhões por filme que faltar. A empresa também promete investir em produção nos EUA pelo menos US$ 300 milhões a mais do que as duas empresas gastaram em 2025, manter um streaming gratuito como o Pluto TV e não vender os estúdios na Califórnia por cinco anos.
Na área de jornalismo, o acordo cria um conselho de independência editorial para a CBS News e a CNN, formado por cinco jornalistas com pelo menos dez anos de carreira. As duas empresas terão de seguir negociando separadamente os pacotes de canais de TV a cabo, e um curador escolhido em conjunto vai fiscalizar o cumprimento.
Na semana anterior, a FCC, agência que regula as comunicações nos EUA e equivale à Anatel, aprovou o pedido da Paramount para ter até 49,5% do capital nas mãos de estrangeiros depois da compra. Com 28 emissoras de TV, a empresa precisava desse aval para passar de 25%. O dinheiro vem de fundos soberanos da Arábia Saudita, do Catar e de Abu Dhabi, sem ações com direito a voto, como o Sinal & Ruído mostrou na matéria sobre a liberação dos fundos do Golfo na Paramount pela FCC.
Por que importa
Com o acordo dos estados e o aval da FCC, a Paramount afirma ter liberação completa para a fusão. O grupo vai juntar dois dos maiores estúdios de cinema, unir o Paramount+ ao HBO Max e ficar com a CBS, a CNN e outros canais. Segundo o Wall Street Journal, citado pela Ars Technica, a empresa deve nascer com quase US$ 80 bilhões em dívida.
No Brasil, quem sente primeiro é o gestor de mídia de agência ou anunciante que hoje negocia em separado com Paramount e Warner, no streaming ou nos canais pagos. Consolidações desse tamanho costumam trocar o interlocutor comercial e refazer pacotes e tabelas, e contratos anuais em negociação pedem cláusula para mudança de controle. As obrigações do acordo valem para o mercado americano, e as fontes não falam em regras para outros países.
Produtoras e operadoras de TV paga também entram na conta. Para John Bergmayer, diretor jurídico da Public Knowledge, a fusão deixa menos estúdios disputando roteiros e talentos e dá a uma só empresa mais poder para ditar condições aos distribuidores.
O que observar
O próximo passo é a revisão do acordo pelo juiz federal. Com a aprovação, a Paramount pode concluir a compra e escapar da taxa de atraso: a partir de 30 de setembro, teria de pagar aos acionistas da Warner 25 centavos de dólar por ação a cada trimestre de atraso, cerca de US$ 7 milhões por dia.
A resistência continua. Lina Khan, ex-presidente da FTC, a agência americana de defesa da concorrência, disse que o caso dos estados era “muito forte” e que remédios de conduta costumam falhar. A Free Press acusou Bonta de voltar atrás na promessa de aplicar a lei. Bonta afirmou que o acordo não é um voto de apoio à fusão. Na FCC, os fundos estrangeiros precisarão de nova aprovação se quiserem ações com voto.
Fontes
- The Verge: Paramount settles lawsuit blocking $110 billion Warner Bros. merger
- Meio & Mensagem: Paramount resolve caso antitruste e acelera fusão com WBD
- Meio & Mensagem: EUA aprovam 49,5% de cotas estrangeiras na Paramount-WBD
- Ars Technica: California settles lawsuit against Paramount/Warner merger, angering advocates
Atualização em 13/10/2026: esta matéria foi ampliada com mais detalhes das fontes originais, e trechos que não estavam nas fontes foram retirados. Veja a página de erratas.




