VML: 82% dos consumidores usam IA antes de comprar

O 10º Future Shopper indica que o assistente entrou na jornada de compra, e a página de produto agora precisa ser legível para máquina.

O que aconteceu

A VML divulgou a décima edição do relatório Future Shopper, e o número que sustenta o estudo é este: 82% dos consumidores globais já usam inteligência artificial. Segundo o Meio & Mensagem, a pesquisa aponta que a IA passou a integrar a etapa anterior à decisão de compra, quando o consumidor ainda está pesquisando o que levar.

O relatório também mostra que esse uso não é cego. De acordo com o levantamento, 58% dos consumidores confirmam em outras fontes as recomendações geradas por IA antes de fechar a compra, o que amplia o número de pontos de contato envolvidos na decisão em vez de reduzi-los. E 53% dizem valorizar recomendações percebidas como genuínas, sem direcionamento comercial.

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O movimento tem um nome que começa a circular no mercado. Em artigo no Mobile Time, a discussão é enquadrada como Answer Engine Optimization: a disputa deixa de ser só pelo clique numa lista de links e passa a incluir a relevância técnica da marca dentro da resposta que o modelo entrega ao usuário.

Por que importa

Os dados do Future Shopper são globais. O material divulgado não traz corte específico do Brasil, e vale tratar os percentuais com essa ressalva. Ainda assim, a direção interessa a quem opera e-commerce e mídia de performance aqui, porque o funil de descoberta é o mesmo em estrutura: alguém pergunta, alguém responde, alguém compra.

Se parte da descoberta acontece dentro de um assistente, a página de produto muda de função. Ela deixa de ser apenas destino de tráfego pago e passa a ser insumo que o modelo lê para montar a resposta. Ficha técnica incompleta, descrição genérica copiada do fabricante e review escondido atrás de JavaScript viram problema de distribuição, não só de conversão.

O dado dos 58% que checam a recomendação em outra fonte é o mais operacional de todos. Ele sugere que o assistente não encerra a jornada, ele redistribui. A marca citada na resposta tende a ser validada depois em busca, review de criador, marketplace ou boca a boca. Ou seja: aparecer na resposta sem ter sustentação fora dela é ineficaz.

Na mensuração, o incômodo é previsível. Tráfego vindo de assistente costuma chegar sem referrer claro ou agrupado como direto, o que infla o “direto/nenhum” e some com a atribuição. Quem depende de last click para justificar verba vai enxergar mal essa fatia.

Opinião: AEO, por ora, é mais renomeação de boas práticas de conteúdo estruturado do que uma disciplina nova. O risco é o mercado vender pacote de “otimização para IA” antes de existir método de medição que prove entrega.

O que observar

Três frentes valem acompanhamento. Se a VML publicar recorte brasileiro do Future Shopper, ele dirá o quanto desse comportamento já se repete por aqui. No lado técnico, a pergunta prática é como os anunciantes vão medir citação em resposta de modelo, já que não há padrão de relatório nem verificação independente. E na compra de mídia, resta saber se as plataformas de IA vão abrir inventário publicitário dentro das respostas, o que colide direto com os 53% que dizem preferir recomendação sem direcionamento comercial.

Para quem quer se mexer agora, o caminho menos arriscado é o básico: dados estruturados de produto, conteúdo que responde perguntas reais de compra e review acessível ao rastreador.

Fontes

  • Meio & Mensagem: Consumidor recorre à IA antes de decidir o que comprar
  • Mobile Time: O Google vai perder o trono? Por que sua empresa precisa olhar para o Answer Engine Optimization