OpenAI vê eleição no Brasil como teste global de IA

Executivo da empresa diz que o pleito brasileiro deste ano vira laboratório para as urnas de 2027, e quem compra mídia vai sentir o efeito antes da regulação chegar.

O que aconteceu

Bruno Lewicki, head de políticas públicas da OpenAI na América Latina, afirmou à Folha que o Brasil será o grande teste mundial para o uso de inteligência artificial em eleições. Na visão dele, o pleito brasileiro deste ano deve servir de aprendizado para os vários processos eleitorais que acontecem no ano que vem.

A declaração veio em entrevista ao C-Level, publicação da Folha. Lewicki tem 51 anos e responde pela agenda de políticas públicas da empresa na região, o que na prática significa negociar com reguladores, tribunais e governos enquanto os produtos da companhia já estão na mão do eleitor.

PublicidadePraxo: de 0 a 4, qual é o nível de IA da sua empresa? Faça o Raio-X grátis

Não é uma promessa de que vai dar certo. É o reconhecimento, por parte de quem fabrica a tecnologia, de que o Brasil virou o campo de provas.

Por que importa

Quem planeja mídia no segundo semestre eleitoral já conhece a dinâmica: inventário mais caro, feeds saturados, pressão de brand safety. O que muda agora é a origem do ruído. Imagem, áudio e vídeo sintéticos custam quase nada para produzir e circulam em volume que nenhuma equipe de checagem de agência consegue acompanhar manualmente.

O risco imediato para marca não é ser alvo de deepfake. É adjacência. Um anúncio programático que aparece ao lado de um vídeo fabricado sobre um candidato coloca o anunciante dentro de uma briga na qual ele não queria entrar. Listas de bloqueio por palavra-chave não resolvem, porque o conteúdo sintético não avisa que é sintético.

Do lado regulatório, o PL 2.338 segue sem desfecho no Congresso. Ou seja: a eleição acontece antes das regras. Enquanto isso, o que vale são as normas do TSE, os termos de uso das plataformas e, cada vez mais, a política interna de cada anunciante. Quem não escrever a sua vai improvisar em outubro.

Opinião: a fala da OpenAI também é posicionamento. Chamar o Brasil de teste global é uma forma de dizer que a empresa está participando do processo e colaborando com as autoridades, o que ajuda a moldar a regulação que ainda vem. Vale ler como tal.

O que observar

Três frentes para acompanhar nas próximas semanas. Primeiro, se as plataformas de anúncio vão oferecer controles específicos para conteúdo eleitoral sintético ou se a responsabilidade de filtragem vai cair inteira no anunciante. Segundo, o andamento do PL 2.338 e eventuais resoluções complementares do TSE durante o período de campanha.

E fica a pergunta aberta para o mercado: quantas agências brasileiras têm hoje um protocolo escrito para o que fazer quando uma marca é clonada em vídeo? A entrevista completa está no C-Level, da Folha, com acesso restrito a assinantes.

Fontes