O que aconteceu
Bruno Lewicki, head de políticas públicas da OpenAI na América Latina, afirmou à Folha que o Brasil será o grande teste mundial para o uso de inteligência artificial em eleições. Na visão dele, o pleito brasileiro deste ano deve servir de aprendizado para os vários processos eleitorais que acontecem no ano que vem.
A declaração veio em entrevista ao C-Level, publicação da Folha. Lewicki tem 51 anos e responde pela agenda de políticas públicas da empresa na região, o que na prática significa negociar com reguladores, tribunais e governos enquanto os produtos da companhia já estão na mão do eleitor.
Não é uma promessa de que vai dar certo. É o reconhecimento, por parte de quem fabrica a tecnologia, de que o Brasil virou o campo de provas.
Por que importa
Quem planeja mídia no segundo semestre eleitoral já conhece a dinâmica: inventário mais caro, feeds saturados, pressão de brand safety. O que muda agora é a origem do ruído. Imagem, áudio e vídeo sintéticos custam quase nada para produzir e circulam em volume que nenhuma equipe de checagem de agência consegue acompanhar manualmente.
O risco imediato para marca não é ser alvo de deepfake. É adjacência. Um anúncio programático que aparece ao lado de um vídeo fabricado sobre um candidato coloca o anunciante dentro de uma briga na qual ele não queria entrar. Listas de bloqueio por palavra-chave não resolvem, porque o conteúdo sintético não avisa que é sintético.
Do lado regulatório, o PL 2.338 segue sem desfecho no Congresso. Ou seja: a eleição acontece antes das regras. Enquanto isso, o que vale são as normas do TSE, os termos de uso das plataformas e, cada vez mais, a política interna de cada anunciante. Quem não escrever a sua vai improvisar em outubro.
Opinião: a fala da OpenAI também é posicionamento. Chamar o Brasil de teste global é uma forma de dizer que a empresa está participando do processo e colaborando com as autoridades, o que ajuda a moldar a regulação que ainda vem. Vale ler como tal.
O que observar
Três frentes para acompanhar nas próximas semanas. Primeiro, se as plataformas de anúncio vão oferecer controles específicos para conteúdo eleitoral sintético ou se a responsabilidade de filtragem vai cair inteira no anunciante. Segundo, o andamento do PL 2.338 e eventuais resoluções complementares do TSE durante o período de campanha.
E fica a pergunta aberta para o mercado: quantas agências brasileiras têm hoje um protocolo escrito para o que fazer quando uma marca é clonada em vídeo? A entrevista completa está no C-Level, da Folha, com acesso restrito a assinantes.
Fontes
- Folha de S.Paulo (C-Level): Brasil será o grande teste para o uso de IA em eleições no mundo, diz executivo da OpenAI




