Flipp detalha medição de visitas a lojas no Brasil

Adtech que entrou no país em março apresentou formato de ofertas e método para estimar visitas após anúncios; comprador deve pedir a metodologia.

O que aconteceu

A Flipp detalhou sua atuação no Brasil em reportagem publicada pelo Mobile Time nesta sexta-feira (9). A empresa chegou ao país em março e oferece um formato para exibir vários produtos numa peça interativa distribuída em portais e aplicativos parceiros. A proposta central para o varejo é relacionar essa exposição digital a visitas posteriores a lojas físicas.

O formato NativeX organiza ofertas em uma navegação contínua e permite ajustar a distribuição por área de cada estabelecimento, segundo a reportagem. A Flipp diz usar dados de localização de uma parceira, obtidos com autorização dos usuários, para delimitar áreas próximas às lojas. Depois compara o comportamento de grupos de dispositivos que tiveram e que não tiveram contato com os anúncios.

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O resultado apresentado pelo fornecedor é uma estimativa de visitas atribuíveis à campanha. A Flipp afirma atuar em 27 mercados e atender mais de 2 mil marcas no mundo. Esses são números declarados pela empresa na reportagem, sem detalhamento de carteira ou de resultados brasileiros por cliente. O material consultado tampouco apresenta uma auditoria independente do efeito de uma campanha local.

Por que importa

O gestor de mídia de uma rede de lojas conhece o problema: os relatórios digitais registram cliques, mas grande parte das compras acontece presencialmente. A oferta da Flipp tenta ligar a campanha à ida à loja, com segmentação por praça e comparação entre públicos. Para uma marca com filiais, isso pode ajudar a decidir onde testar verba e quais ofertas têm maior resposta perto de cada ponto de venda.

A pergunta comercial, porém, precisa ir além da tela bonita. O anunciante deve pedir como se forma o grupo de comparação, quais dispositivos ficam fora da medição e o que conta como visita. Uma pessoa pode entrar numa loja por razões que nada têm a ver com o anúncio. Grupos diferentes também podem ter hábitos distintos antes da campanha; sem uma comparação adequada, a estimativa pode confundir correlação com efeito publicitário.

Há ainda um cuidado com privacidade. A reportagem informa que a parceira da Flipp usa dados de dispositivos com autorização de localização. Um anunciante que compra a medição deve entender de onde vem essa autorização, como os dados são agregados e quais informações receberá. Uma taxa de visita atribuída não equivale automaticamente a venda ou lucro.

O lançamento da Serasa Ads no mercado brasileiro também envolve uso de dados para vender mídia, mas oferece um tipo diferente de segmentação. A comparação serve para exigir clareza sobre origem dos dados e sobre a métrica de resultado de cada fornecedor, sem tratar produtos distintos como equivalentes.

O que observar

A Flipp chegou em março; a novidade desta semana é a apresentação pública de sua oferta e do método de mensuração ao mercado. O próximo dado útil seria um estudo de campanha brasileira com desenho da comparação, período e limites divulgados. Antes disso, um piloto em algumas lojas, com meta definida e custo de medição separado, permite avaliar a proposta em escala controlada.

O Google Ads também descreve visitas à loja como números estimados por modelos, sujeitos a critérios de disponibilidade. São métodos e fornecedores diferentes. A lição para a compra é pedir ao parceiro uma explicação verificável de como chega ao número apresentado.

Fontes

  • Mobile Time: Flipp, adtech chega ao Brasil com solução que mede visitas às lojas físicas
  • Ajuda do Google Ads: Sobre conversões em visitas à loja