O que aconteceu
A suíça On contratou Kylian Mbappé, que estava na Nike, e vai usar o atacante como cabeça de chave da sua entrada em chuteiras, prevista para 2027. A informação é do B9, que também registra a contratação de Thierry Henry como diretor de futebol da marca.
O movimento tem duas partes que valem separar. Uma é a compra de um nome: Mbappé sai do maior anunciante de artigos esportivos do mundo para uma marca que ainda não vende o produto no qual ele vai jogar. A outra é a construção de repertório interno, com Henry assumindo a área de futebol antes de existir chuteira no catálogo.
Em texto paralelo, o B9 sustenta que a saída de Mbappé escancara uma crise real na Nike e que os números e as mexidas recentes da empresa ajudam a medir o tamanho do que ainda está em jogo. Ou seja: não é só perda de um garoto-propaganda, é sinal de que a disputa por nomes de futebol voltou a ter mais de um lado com dinheiro na mesa.
Por que importa
Patrocínio esportivo é leilão. Quando entra um comprador novo com apetite e prazo (2027 é amanhã, em termos de planejamento de marca), o preço de referência do ativo sobe para todo mundo. Isso não fica restrito a atacantes europeus. Ele desce a cadeia até o meio-campista da Série A, o contrato de material esportivo do clube médio e o naming de competição.
No Brasil, o efeito prático é sobre quem compete pelo mesmo inventário de futebol, e essa lista foi muito além de marcas esportivas nos últimos anos: casas de apostas, bancos digitais, telecom, bebidas. Se o piso de um contrato de atleta de elite sobe lá fora, o comparativo que chega à mesa de negociação aqui também sobe. Quem planeja verba de 2026 com base no preço de 2024 vai tomar susto.
Opinião do S&R: o mais interessante para quem faz marca no Brasil não é a chuteira, é o método. A On está vendendo credibilidade em uma categoria antes de ter produto nela. Primeiro compra o sinal (um nome que ninguém discute), depois contrata autoridade técnica, e só depois entrega o item físico. São cerca de dois anos de narrativa rodando antes de qualquer coisa chegar à prateleira. É um roteiro replicável por marca brasileira que queira migrar de categoria, e é bem mais barato que campanha de lançamento no escuro.
Do lado da Nike, a leitura do B9 sugere que a defesa de território vai custar caro. Quando a líder precisa renovar sob pressão de um concorrente disposto a pagar, a conta de retenção cresce mesmo sem nenhum contrato novo ser assinado.
O que observar
Três frentes valem acompanhamento. A primeira é o calendário: 2027 é a data anunciada para as chuteiras, e ainda não está claro se o lançamento chega ao Brasil junto com a Europa ou depois. A segunda é o tipo de ativo que a On vai comprar daqui para frente, se fica só em atletas ou parte para clubes e federações, o que mudaria bem mais o mercado de patrocínio local. A terceira é a resposta da Nike, que aparece em renovações, retenção de nomes e nos próximos números da empresa.
Uma pergunta aberta: chuteira é categoria técnica, decidida por desempenho e por confiança de quem calça. Nome famoso abre a porta, mas não resolve o produto.




