g1 completa 20 anos apostando em vídeo vertical

O portal da Globo chega às duas décadas com cerca de 400 jornalistas e mais de 600 conteúdos por dia, e coloca o formato vertical no centro do plano para os próximos anos.

O que aconteceu

O g1 completa 20 anos. O portal entrou no ar em 18 de setembro de 2006 com a missão de ser o pilar de jornalismo da Globo no ambiente digital, segundo reportagem do Meio & Mensagem sobre o aniversário.

Duas décadas depois, a operação é multiplataforma. São cerca de 400 jornalistas envolvidos na produção, responsáveis por mais de 600 conteúdos publicados por dia, ainda segundo o Meio & Mensagem.

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A aposta declarada para o próximo ciclo é o vídeo vertical. O formato, nascido no feed do celular e consolidado por redes sociais e apps de vídeo curto, passa a ocupar posição central no planejamento do portal, e não mais o papel de complemento do texto.

Por que importa

O g1 é a maior referência de portal noticioso do país, e o que ele decide fazer com formato costuma virar padrão de mercado. Quando o maior player realoca esforço para vídeo vertical, isso mexe com a régua de produção de toda a cadeia: redações menores, assessorias, produtoras e times de conteúdo de marca passam a ser comparados a esse patamar.

Para quem compra e planeja mídia, a leitura é sobre inventário. Vídeo vertical dentro de um ambiente jornalístico grande significa novos espaços de anúncio em formato nativo de celular, com contexto editorial e brand safety diferentes dos que uma marca encontra num feed aberto de rede social. É um ativo que agências vinham pedindo e que os veículos tradicionais demoraram a construir em escala.

Tem também o recado sobre distribuição. Ao priorizar um formato que nasceu fora do site, o portal admite na prática que a atenção do leitor brasileiro se organiza no telefone, em sessões curtas, e que depender de tráfego direto e de busca não sustenta os próximos 20 anos. A disputa não é mais entre portais. É entre o portal e o tempo que a pessoa passa rolando qualquer tela.

Opinião: o risco embutido nessa mudança é o de transformar apuração cara em recorte descartável. Vídeo vertical premia velocidade e gancho nos primeiros segundos, o que nem sempre convive bem com reportagem que exige contexto. Quem resolver essa equação com método, e não só com volume, sai na frente.

O que observar

Três pontos ficam em aberto na cobertura publicada. Primeiro, como o vertical se distribui: fica dentro dos produtos próprios do grupo, vai para plataformas de terceiros, ou os dois ao mesmo tempo com formatos distintos? Segundo, se a meta de mais de 600 conteúdos diários passa a incluir o vídeo vertical no mesmo balanço ou se cria uma linha de produção paralela.

Vale acompanhar ainda o que isso significa em contratação e treinamento de redação. Fazer vídeo vertical bem-feito em ritmo diário exige perfil diferente do repórter de texto, e essa conta aparece no organograma antes de aparecer no resultado.

Para o mercado publicitário, a pergunta prática é quando e como esse inventário chega ao comercial, com quais métricas de entrega e qual preço.

Fontes

  • Meio & Mensagem: Aos 20 anos, g1 foca nos vídeos verticais para o futuro